Cartas,
entregues
Caravelas,
ao vento
Léguas,
atrás
Uma cerimônia, um sim e o silêncio
resta a dúvida.
13 de jan. de 2011
8 de jan. de 2011
O brilho dos fortes, Desvirtuosos
Prevejo um futuro brilhante para cara ser humano, trilhado por ações totalmente conscientes que acobertam as inconscientes. Um destaque para ações bárbaras, que se apropriam das terras onde residem atitudes nobres.
Os nobres, que acalentam pobres e certos desgarrados do bom caminho, tentam bloquear esse brilho. Munidos de espadas já enferrujadas, forjadas em bronze sobre um juramento de harmonia para com o outro, ainda estudam e testam possibilidades de salvar o restante da humanidade.
Mas o brilho de cada um nunca poderá ser efetivamente neutralizado. A única certeza consiste em que não se poderá voltar atrás, seja em uma ação boa ou ruim.
7 de jan. de 2011
2011
Após o dia primeiro de janeiro, iluminado por cores em seu céu negro e parcialmente nublado, os dias passam leves, fluindo após o pesado jantar da entrada do ano. Mencionando força peso, lotado de pesares está o tempo, há tempos, que não decide entre sol e chuva. Pesa água na terra ensopada, às vezes aquecida por um sol tímido.
Quanto ao mau tempo, não me importo. Não gosto de ir à praia. Entretenimento, na cozinha divirto os dedos na panela de brigadeiro. E outra coisa: hoje durante a madrugada vai chover.
Singelo amém. Agora venha o primeiro dia primeiro, o primogênito leve. Dias que desabam em águas tortuosas, primeiramente rápidas, astutas. E o ano vai acabar novamente, como haverá e haveria de ser.
29 de dez. de 2010
Pulando as três cores, pois as ondas já passaram
Vermelho de uma paixão pela vida que se foi, dando lugar apenas à sobrevivência. Amarelo das cascas de bananas obtidas das lixeiras, moídas, e transformadas em um mingau matinal. É ouro. Branco das garrafas vazias de iogurte, que armazenam a água da chuva destinada para o banho. Ao menos, um banho em paz.
Mesa arrumada da melhor maneira. Um frango comprado quase de graça, já há bastante tempo abatido e descogelado. Refrigerante já foi mais barato, então lá está um suco com um ralo sabor de limão. É o seu refrigerante de limão. E um arroz trazido por um amigo, arroz pouco branco.
Fógos de artifício no ar, Ano Novo. E Vida nova apenas para os outros.
21 de dez. de 2010
Está entregue ao Cão
Em clima e férias entregarei a direção do blog a outro indivíduo. Os temas serão de sonhos durante o jantar, em que alguma comida caí da mesa e é esperada com uma vontade incontrolável de um furto cara de pau. Relatos de caçadas, em que pássaros recém nascidos são assassinados, mastigados em saliva grudenta. Reflexões obtidas por alguém deitado do chão da sala de estar, enquanto o sol proveniente da grande janela de madeira aquece sua pelagem cor de mel.
Em clima de férias entregarei a direção do blog a minha cachorra. Os textos terão palavras com letras duplas, provenientes de um pata desengonçada que geralmente aperta duas teclas ao mesmo tempo, sem querer. Uma espécie de latim, que vem do latido, algo nobre e difícil de ser ler.
Uma fucinho novo, e férias para mim.
19 de dez. de 2010
(42) Café adoçado com vingança
Enquanto a maresia embaçava o vidro dos quartos, a música alta de qualquer festança enchia o ambiente. Música pouco ambiente. A mãe, destruída em sua condição materna, alisava carinhosamente a imagem do filho em um porta-retrato.
Longe dali, um mecânico chegara em casa com pressa, ferramentas banhadas em sangue e pedaços de pele. Largou a mochila no sofá, pegou uma cerveja e deitou na poltrona. Relaxou, colocando uma das mãos atrás do móvel.
Era tarde quando sentiu seus dedos desprenderem da mão. Recolheu o membro ensanguentado, gritou de dor e fúria. Procurou quem o atacou; em vão, pois já havia partido como astúcia.
Ao acordar, a mãe, com o retrato do filho em mãos, encontrou um café pouco convencional. Dedos em uma bandeja, e um bilhete feito com sopa de letrinhas.
"OS DEDOS DE QUEM TIROU A OPORTUNIDADE DE UMA MAE SER MAE"
Café da manhã macabro, café adoçado com vingança.
Café da manhã macabro, café adoçado com vingança.
16 de dez. de 2010
Tombo no solstício
É tão degenerativo este seu pensamento pouco cativante. Destruindo a si própria, pois assume uma posição além de suas possibilidades.
Ontem, encarei uma mulher de cabelos castanhos. Ela se encontrou comigo em uma troca de olhares e ambos os rostos tentaram disfarçar tal situação incômoda. Então lembrei de ti e de momentos juntos, e a sensação de algo que lhe cobria com uma pouco cativante concepção de si mesma.
Sonhei meu próprio jardim, antes compartilhado contigo. Ainda floresce por lá, grato por isso, porém as flores agora são negras. Preenchidas de cor alguma.
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