17 de mai. de 2011

Nota do dia III

Bonita? A lua sempre esteve linda, é que você nunca havia notado. Hoje seu espírito está elevado a uma instância mais sensível, em que a luz incidente é incômoda, porém, antes disso, sedutora. Tal estado propiciado por acontecimentos recentes, dos quais se há receio em se lembrar. Consequência de circunstâncias questionáveis.

13 de mai. de 2011

Excepcional de todos os dias

Um dia excepcional, diria, por todo o trajeto estreito e tortuoso que os fatos escolheram. Situações inesperadas, intensificadas por boa ou má companhia; ora desagradáveis, ora agradáveis demais.

Excepcional no sentido mais profundo, de onde provém a semente do acontecimento. Um pouco de água, numa terra não muito apropriada, com algum carinho "descompromissado", e pronto: nasce eu, você, o dia de hoje.

Um bom ou mal desenrolar dos fatos em vinte e quatro horas. Mas o fato, por hora sempre esquecido, mais importante que o próprio fato presente, é que o jardineiro, aquele que controla, somos nós. Portanto, uma falha, de maneira simplória, é mais culpa sua, nossa, dele(la), de que dos outros.

11 de mai. de 2011

O resto, é resto

Roupas largas cobrindo as curvas do corpo, boné na cabeça camuflando o cabelo e uma fina camada de óleo vegetal sobre toda pele, talvez entendida como um hidratante a base de gordura. Um sorriso desgastado de tanto usar, ou sorriso algum por fadiga. Algumas com uma magreza triste, por ora batizadas como moças do "fast food"; não moças no sentido feminino, mas de mulher como foram concebidas e por fora dali, assim se entende. Neste trabalho, requer-se de sobra a eficiência. O resto é resto.

6 de mai. de 2011

Nota do dia II

Acabou o sentimento de troca e responsabilidade, denominado amor nas relações. Hoje a maré é de paixões, paixões diárias; raras as que capengam por anos. Culparia a "liquidez da modernidade", como eu ouvira outro dia, ou a monotonia do mundo e das suas relações. Mas o fato que é fato seria o seguinte: amor é investimento, volátil como dinheiro nas bolsas de valores. Grande investimento, para a alegria de quem obtém sucesso.

26 de abr. de 2011

Nota do dia

A chuva, ao cair, representa surpresa para alguns e inconveniência para outros. Pessoalmente, é entendida como um dia atípico, gostoso pelo simples fato de ser o não esperado, mas desejado. Assim o é, pois estes dias quentes são de matar.

25 de abr. de 2011

O mesmo tema, com a fonte

Li em um livro pouco conhecido, de um autor fantástico, algo relacionado à condição humana. Certo conto sobre um rapaz que desejou muito uma mulher, idealizando-a ao ápice do perfeito. Quando a possuiu e extravasou sua obsessão, simplesmente desmoronou. Na primeira febre de sua amada, ele pode tatear os defeitos. Era horrível o hálito podre, febril... A pele da moça não mais brilhava como antes...

A idealização perfeita, uma brincadeira da natureza? Afinal, após todo o romantismo, durante o ato corpo a corpo, somos mais animais do que amorosamente racionais? Reprodução.

Deixando de lado o assunto amoroso e retomando o início deste texto, recomendo contos de Guy de Maupassant.

22 de abr. de 2011

Comum é amar

Um velho sábio, que experimentara todo tipo de coisa na vida, chegara na cidade causando grande estardalhaço. Requisitava uma grande reunião com jovens, solteiros, apaixonados, recém casados e outros indivíduos de ocupação e estado de espírito diversos.

Toda a cidade se reuniu na praça. "Vou dizer um segredo", iniciou. "Amar é muito para vocês...", continuou. Seguiu-se uma história fantástica, de como um suposto Deus iludira seus servos com algo denominado "amor", uma força para sustentar a servidão e a reprodução entre os indivíduos. "Isso que vocês acham belo ou lutam para manter, nada mais é que a própria dominação", esbravejou de maneira confiante.

A partir daí, inventou-se o ateu, a guerra e o divórcio.