27 de abr. de 2012

A (des)essência das coisas

Não é tempo de revolta ou lamentação, apenas de se ocupar com situações menos complicadas e extremamente alienantes.

Algumas coisas tornam-se interessantes de imediato, outras perdem o direito de nossa preocupação e dedicação. Certos indivíduos ignoram incômodos, já outros os equilibram com vícios de nomes diversos. Adentrando, certos seres apenas não sabem encontrar ou lidar com um dos dois caminhos. Mas as coisas apenas são o que são, existem e precisam ser enfrentadas. Por tanto, devem ser observadas de maneira coerente, ou incoerente. O que vale é a reflexão.

Gravatas são interessantes, engraçadas na verdade. Coloridas e listradas. E a combinação com camisas, também multicoloridas e afins, não é ínfima. Veja, a essência não está no indivíduo, ou no objeto, e sim no conjunto. Não são apenas gravatas e camisas, na verdade. Existe um, pois o outro lhe dá função de assim ser. Assim, em uma comparação tosca e completamente ao avesso, algumas pessoas são mais essenciais que outras. Não no sentido de mais valorizada em relação ao outro, mas no sentido do egoísmo individualista. Essencial para si mesmo. E portanto em uma espécie de vazio de sentido. Ah, sim, não são tão justas com os outros e consigo mesmas. E por aí costumam comprometer indivíduos.

Algumas pessoas, mesmo já de alguma forma comprometidas, sempre estarão dispostas a lhe fazer menos essencial. Ainda bem.

Aliás, acho que anda disso fez sentido.  O que vale é a reflexão.

23 de abr. de 2012

A tartaruga e a lebre

Penso rápido demais, ou nem penso, e nada entendo. Então, em uma tentativa estranha e em vão, ando de um lado para o outro, tentando compensar toda essa energia em descontrole. Ultimamente muito afobado, concluí. Espécie de mecanismo de defesa.

Uma carapaça de algum animal, em que eu possa me resguardar dentro dela. No interior, estou rolando,  rodando, ou cambaleando, ou os três, muito rápido, como que amarrado numa roda sem eixo central. Não consigo pensar em nada, e apenas vem adrenalina em mente. Praticamente dopado, como disse, mecanismo de defesa. Algumas coisas não devem ser mencionadas em mente.

Nem pensar, nem existir. Já foi.

21 de abr. de 2012

São 4, apenas isso

Pensou ele: o que é lixo, o que é descartável? Correr atrás ou deixar encontrar? Nenhuma das quatro. São perguntas equivocadas.

Extremamente equivocadas. Talvez em hora errada, mas inevitáveis. Então vem o trabalho e mais trabalho, ao menos muito menos complicado. Sim, mais tarefas e mais afazeres. Pois as quatro perguntas são assustadoras, demais, assim são.

A mil, dois mil. Melhor três mil. Calar também, apenas efetuar, sem muito raciocinar. Mas as quatro perguntas ainda estão por aqui, em algum lugar, ou em todos.

20 de abr. de 2012

Zumbis e esperanças

Não é tão azul, pois já é noite. Nem mais céu, pois já foi mais bonito. Não há mais penduricalhos, lembra, aqueles prateados? Todos arrancados.

Restam buracos de tamanhos diversificados. Leilão para quem os preenchem mais rápido.

Certa capacidade duvidosa, os outros, olhos e ouvidos tapados. Língua travada. Fúnebre.

De fato, não um apocalipse zumbi. É apenas o início ou o meio. O final será sensacional.

15 de abr. de 2012

Flores encharcadas

Aqui fora, o vento estava frio, bem como o ambiente e o tecido da rede. Permaneci na varanda por dez minutos, em repouso, mas logo corri para dentro. Dei umas três voltas entre a suíte e meu quarto, sem pensar concretamente em nada. Por exatamente um dia, não formulei nada utilizável.

Já estou certo de que todo esse movimento não me faz pensar melhor, mas, por outro lado, não me faz pensar nada. Ótimo.

Preciso de chuva, sim, algo que me recordo é que ela me traz serenidade. Aliás, Vivaldi e a sua primavera também. Uma primavera chuvosa.

14 de abr. de 2012

A casa

Quisera que toda casa fosse firme, sem passar por reparos ou reformas. Também de telhados à prova de goteiras e aracnídeos, e que possuíssem iluminação farta e natural.

Algumas são erguidas em tempo recorde, bem erguidas mas pouco estáveis. Ambíguas. Essencialmente e no máximo por dois pedreiros, talvez apenas um em tempo integral.

Por que não um cimento feito às pressas, mas eficiente? Ou algumas remendas temporárias? Certo, certo... É tudo sobre boa engenharia e segurança.

Então, definiram, resmungando, que não se vive de insegurança. Em voga a busca de uma construção de virgas firmes? Mas, talvez, naquelas mais improvisadinhas residem pessoas mais felizes.

2 de abr. de 2012

Frio e fome

Explique tudo isso.
Para o frio contínuo, convém o casaco. Corpo e tecido em mútuo aquecimento.
Para a fome, pede-se comida. Prazer ao consumir e intervalos entre as refeições.
Ultimamente, parece-me familiar.