25 de jan. de 2012

Arqueólogo

Currais
Linhas aéreas são curiosas pelas suas praticidades e padronizações. Lembram-me currais. Mesinhas portáteis, poltronas reclináveis e lanches serviços com a maior atenção. Tudo igualzinho. É cada um em sua baia.

Roda de jovens
Quem não sabe dançar sem tirar o pé do chão, requebra grudado ao solo. Quem gosta de pular, dá o jeito de dançar ao ar. Vale copo em mãos e conversa mal entendida, palavreado misturado com o som alto. Garrafas preenchidas de cores diversas e, por isso, comida de sobra.

Paisagem
Apreciar paisagens ouvindo música torna as relações mais brandas, cores mais pastéis e melancólicas. Ao puxar os fones de ouvido, tons mais itensos e som ambiente. Não entendendo, depende do gosto, e também do estilo musical.

Casas do interior
Melhores que as de vidro e pedra das grandes cidades. Residências com jardins de inverno e cheiros suaves de diversas coisas sem nome, nostálgicas. Móveis pontiagudos e demasiadamente detalhados, com decoração rústica e peças carcomidas e descoladas.

Mulheres
Algumas são observadoras, traz até incomodo. Rola o aclamado sentimento de artista ou coisa parecida. Aposta em esquisitisse, diferença ou um pouco crédulo charme. Depois acusam de muito otimismo e ego inchado, hoje tudo regalia.

23 de dez. de 2011

Conto de fim de ano

Os espíritos estão pouco badalados este ano. O de Natal nem se quer bateu na porta, parou e ficou observando a maçaneta, limpou os pés no tapete e permaneceu estático. Sentiu más vibrações no ambiente, ou encontrou um lugar melhor para agraciar com sua presença, esperando a oportunidade exata de partir. Na verdade, acredito que ainda a esteja procurando. Aliás, está em frente à casa até hoje.

O espírito de Ano Novo fez uma breve visita por trinta minutos. Então, achou todas as pessoas incapazes de desejar ou praticar algo bom em 2012. Deu de costas, amaldiçoou os residentes com a teoria do fim do mundo e foi embora. E a piada do dia foi: o que vem de costas não me atinge.

Agora acredito em qualquer coisa e não animo com tais festas. Entre o Natal e o Ano Novo, dia 27, digamos, Papai Noel vem montado em fogos de artifício. Isso seria inesperado e divertido. E faria todo sentido.

19 de dez. de 2011

Desarmonia

Desisti de duas ou três coisas estes últimos dias, pois abrir mão delas me pareceu muito confortável. Assim, pensei sobre todas essas falhas não planejadas, e vi prudência em não tentar algo sem noventa por cento de acerto. Ainda, algo muito melhor que o anterior.

Aliás, não fico depressivo e mal-humorado assim tão fácil. Pessoas ao meu lado morrem de reclamar. Meu rosto fica imutável, tomo um gole d'água ou de café, olho novamente, outro gole, expressão facial de e daí. Explico. Você vai fracassar novamente, acostume-se. Tome algo, então, falhando todas as opções, tente o vinho. Relaxe. Pense pouco hoje, amanhã pense muito. Soluções vem com o tempo. No máximo, desista e encontre algo melhor. Algo muito melhor que a alternativa anterior.

Olhares de repreensão em mim. Novamente, expressão facial de e daí. O cachorro passa por perto, carícias em sua face. Mais banal que a conversa. Olhares de repreensão, de novo. Pessoas ao meu lado morrem de reclamar. Sim, querem apenas atenção para seus lamentos. Adote um animal e converse com ele. Certo que ele vai abanar o rabo.

Pois meu rosto não vai passar expressão mais motivadora. E minhas mãos não irão demonstrar qualquer sinal ou gesto caridoso. Aliás, carinho dou à minha família, à minha companheira. Ainda, há pouco dele para dar e muitas pessoas por receber. 

Atenção, carinho e coisas derivadas. Apenas resquícios e pessoas insensatas. Será esse o motivo de indivíduos tão lamentosos e mal-humorados?

10 de dez. de 2011

O retorno

Sobre a sociedade
O mundo nunca foi justo por você, nem por isso você tratará da mesma maneira as pessoas. Alguém haverá de quebrar as regras e incentivar alguma bondade.

Sobre companhia
Existe a lenda dos opostos que se atraem. Um divide com o outro suas habilidades, até que as diferenças exacerbadas dão início às desavenças. Por isso, companhias que compartilham os mesmos hobbies são mais seguras. A história de vivenciar e aprender nas semelhanças. Não se espera aventuras, mas sempre se encontra o porto seguro.

Tommy, querido Tommy
Animais de estimação são legais. Eles lhe acordam pela manha sempre de boa vontade, bufando em seu rosto e arranhando alguma parte sua fora da cama. Portanto, eles lhe trazem boa companhia e não são vingativos. Falsos apenas quando querem uma recompensa diferente, e inocentes durante todo o resto.

Ler em qualquer lugar
Acho que abrir um livro em público, com uma considerável poluição sonora, é inviável. Ler, inviável do mesmo jeito. Na verdade, as pessoas gostam de que outros indivíduos as vejam lendo. Conclusões são conclusões.

23 de nov. de 2011

Mensageiros do apocalipse

Por ventura, uma estratégia fracassada pode se tornar sucesso a longo prazo. Portanto, não é potencialmente um fracasso consumado, e sim uma derrota reversível.

Ilustrando, uma planta dispensa seu pólen ao vento. Por azar, nada é polinizado. Mas, por sorte, um animal passa por perto e carrega algum desse material. Assim, esse ser viaja alguns quilômetros e, sem intenções aparentemente racionais, poliniza plantas durante o caminho.

Por isso, apostaria em sementes ou coisas parecidas. De início, um fracasso em solo ou situações inférteis. Mas a derrota é sempre reversível, seja por um caminho certo, torto ou desconhecido.

19 de nov. de 2011

A mãe, a humanidade e uma raça superior

Gravidez deve ser desconfortável. Encarei uma gestante por alguns instantes, jurei por uns vintes segundos observar um semblante de agonia e desespero. Fui desmentido ao flagrar um carinho na barriga, acrescido de um olhar dotado de ternura. Dei graças por estar errado. Concluí que algumas coisas valem muito a pena apesar de certos sacrifícios.

Esse amor ao próximo, não o chamaria de "ato de humanidade". Pois humano, em minha concepção não usual, significa ser bom e mau ao mesmo tempo. E, na maioria das vezes, e realmente, seria  conviver e aturar desequilíbrios entre mau e bom. Então, ser humano pode ser muito mau, ou, do mesmo jeito, muito bom. Porém, por aí reina uma grande tendência ao lado malvado.

Assim dizendo, chamaria o bendito "amor ao próximo" de atitude de solidariedade. Consequência de uma sociedade solidária, e não humana. Ainda, desvincularia de qualquer prefixo relacionado ao homem essas atitudes espontâneas, desinteressadas e amorosas. Pois, diria, pertencem a algo muito melhor, evoluído e civilizado que a humanidade, a própria.

Entretanto, nem todo amor é incondicional como o de uma mãe por seu filho.

15 de nov. de 2011

Autoajuda

(alguém lamentando relacionamentos)

- Vou lhe dar a solução do seu problema...

(segundos depois)

- Observe. Meu punho direito é o número um, o esquerdo é conhecido como dois. Quando um vai de encontro ao dois, o dois é repelido. Quando dois vai de encontro ao um, o um se afasta. Assim, um nunca encontra dois. Quando a ação de junção é desejada, alguém é contrário. Não entenda como lei, aceite como fato aleatório e algumas vezes verídico. Simplificando, quero dizer que não é totalmente verdade, pois não tenho como provar de maneira convincente. Mas pode ser, assim como muita coisa na vida acontece de maneira inesperada. Solucionando, o dois e um devem permanecer em inércia. Então, por acaso, dois e um andam em direção de colisão, sem mais nem menos. Acontecendo isso, é certo dar certo. Simples.

(segundos depois)

- Como?