24 de jun de 2010

Romeu ainda não morreu

Hoje desenvolvo um relato, talvez relacionado ao amor, à paixão, ou sobre o medo de viver só. Sou um mero observador, atrelado de alguma maneira ao suposto casal. Pode-se dizer que seguro a vela, grande como um sírio pascal, que pretende durar bastante tempo. Mas esta embromação supostamente atravessará um ano.

Ele desistiu dela. Mas nem por isso deixou de procurá-la. Ela alega que o moço é grosseiro em como tratá-la. O lado masculino diz: ela é complicada; o feminino grita: você não sabe me tratar. Não é amor, é uma afeição; talvez um quase amor. Uma amizade desenvolvida ao ponto mais quente do gostar de alguém; uma amizade medrosa em partir para um beijo fora das bochechas, abaixo do nariz, acima do queixo.

O moço discorre o seguinte: “a compulsão de te beijar na boca já se foi. Não quero mais.” Ela responde com um olhar mudo. Emana certo arrependimento, mas a moça é mestra em dissimular coisas, assim afirma o rapaz supostamente apaixonado: “você é uma dissimulada”.

Não afirmo que é amor. Pois amor é uma palavra séria e deve ser usada cuidadosamente. Arrisco dizer que está é uma paixão desajustada. O lado masculino tentou ajustar, o feminino recusou. Ele desistiu dela, mas ainda a procura. Joga toda a sua indignação em cima daquele olhar grande e dissimulado. Afirma não querer mais.

Sempre estou perto dos dois. Um espírito de curioso, o espírito dos relacionamentos alheios. E ele quer sim, quer tê-la. Diz o lado masculino: “não, eu não quero”; respondo: “sim, você quer”. Embromação.

Na lanchonete, os dois na mesa. Um em frente ao outro. Eu seria uma espécie de cupido, a uma distância equidistante em relação a eles. As mãos do casal estão próximas. Então digo: “vejam suas mãos, supostamente juntas. É um sinal”. Sou repreendido, taxado de louco. Sou um louco com uma vela na mão, é claro. Arrisco dizer que isso ainda vai dá amor.

Falar sobre paixões, amores, é fácil. Todo mundo tem suas concepções. É um assunto vasto, excitante. A história desses dois é mais uma história. E, como todas as outras, é um relato curioso que desperta interesse. Talvez seja amor certo, mas destinos opostos. Uma relação cômica. Mas o amor é isso. O cômico, o riso, o sorriso. E também, a desgraça e o sofrimento. Prefiro a parte mais alegre. E torço que esta afeição dotada de espinhos parta para o lado mais alegre. O lado masculino diz: “eu não a quero mais”. Eu dou uma ajudinha e digo que ele quer sim. O lado feminino nada fala, uma dissimulada. Então deixo um recado para ela: “seu olhar é mudo, mas sua face lhe entrega”. Você também quer.

22 de jun de 2010

Como deixar uma marca

Nunca desenhe de giz na calçada, pois vem a chuva e apaga.

De preferência, utilize a britadeira. É infalível.