26 de fev de 2010

Odeio falar de penas

A pena que cai

É de um singelo pássaro

Que por aqui voou

E se foi breve

Sem rastros deixar

Pois a pena que cai

Não pertence a ele

Pertence a mim

Possessão

Lembrança minha e somente minha

Que é guardada em um

Coração egoísta

Meu coração

Preenchido de ciúmes e saudades

Repleto de coisas pela metade

Afazeres interrompidos

Por estúpidos amores

Que não sabiam amar

25 de fev de 2010

(40) Os planos de sempre

Ele não se habituou ao novo emprego e logo o largou de qualquer maneira, como se trabalho fosse dispensável. Não gostou das pessoas, do ambiente e principalmente da vista de seu escritório. Pessoas loucas, agraciadas pela própria loucura oferecida pelo ambiente. Desta maneira, a loucura por ali não era opção. Ambiente úmido e triste, deprimente. E uma vista para um valão que definitivamente não perfumava o local de maneira agradável. Mas enfim, loucura para ele não era novidade. Precisava de algo mais excitante, que ajudaria também em seus assassinatos. Então resolveu não fazer nada economicamente rentável. Dedicaria seu tempo exclusivamente para sua arte. Planejaria tudo para não ser apanhado, como se isso fosse algo que não superaria brevemente. Não havia algo melhor do que fazer tudo aquilo. E certamente... certamente não poderia vender suas obras. Por tanto, nada economicamente rentável. Infelizmente.

...


Olhou fixamente para os olhos de Bárbara e encarou-a por exatamente três minutos. Ela parecia estar hipnotizada por aquele olhar meigo e ao mesmo tempo ameaçador. Segurou-a em suas mãos, em um semi abraço desengonçado, sussurrando em sua face algumas palavras.

- Sem trabalho, por enquanto - disse ele.

- Tudo bem, tudo bem - respondeu ela.

Como poderia negar uma vontade de quem ama. Era tão encantador. E era especialmente dela.

23 de fev de 2010

Sem Título

Uma árvore deve sentir muito tédio. Ficar naquele mesmo pedacinho de terra, olhando as mesmas pessoas passar por ali todo dia. Sempre passam pelo mesmo lugar.

Ao mesmo tempo é uma sortuda. Pode sentir o frescor do vento passando pelas suas inúmeras folhas encharcadas de orvalho e ter uma visão privilegiada do ambiente. Elas não veem, mas sentem as coisas muito melhor que nós.

Quando o ambiente está envenenado, elas são as primeiras a sofrer. E não reclamam, apenas morrem em silêncio. Morte lenta e cruel. E fechamos os olhos, logo também deparando com o sofrimento.