31 de out de 2010

Velórios e Famintos

Hora do almoço, hora de almoçar. Coisa que fazemos todo dia, sem pensar muito o motivo. Ato de privilegiados. E privilégio custa caro.

Um fato curioso. Atravessando a rua, vejo um carro encostar perto do posto de gasolina. Desce um, dois, três, quatro, cinco, seis e sete. Vulgo transporte solidário, que ajuda o meio ambiente e amontoa pessoas no banco traseiro.

Antes do pessoal partir, cinquenta centavos de cada um para interar a gasolina da semana. E todos caminham em direção ao restaurante...

Self-service é a moda pra quem não tem tempo de almoçar em casa ou simplesmente não quer ter o trabalho de preparar algo. E requer dinheiro sobrando:

- O quilo está alto hoje. É pelo fato de ser domingo?

- Nada. O dono daqui morreu. Preço alto por tempo limitado, até cobrir o rombo que o velório deixou.

E o preço nunca muda:

- É que todo mês morre alguém da família.

Após comer, caminho pelas ruas com destino ao trabalho. Vendaval de panfletos eleitorais nas calçadas, no asfalto, nas árvores. Deveria ser um crime. Lembro de carros com seus adesivos típicos de época eleitoral rondando por aí, jogando esse monte papel nas avenidas. O claro que fica é: são loucos, além de porcos. Há quem discorde: os próprios.

Pois eu não gostaria de ser chamado de louco e porco. Eu discordaria.

Panfletos no chão. Nenhuma proposta para diminuir o preço da comida aos finais de semana. Andar me faz perder tempo. Pretendo ir almoçar de bicicleta da próxima vez, pois com cinquenta centavos eu compro umas balinhas.