28 de nov de 2009

Earth? (2)

Uma sociedade em extinção precisa ser vigiada por si mesma. Quando a comida é racionada, a água é escassa e a habitação é limitada, a única maneira de manter a ordem é se valer do absolutismo. Um homem privado de uma vida digna age por instintos animalescos, os políticos sabem disso. Para isso é que existem exércitos nacionais, polícias corruptas e entretenimento alienador. E o pior de tudo: a pouca terra produtiva  é manejada por trabalhadores subnutridos, os quais não podiam usufruir de suas próprias plantações - um erro fatal.

Estoura a revolta no campo, como nos tempos do bolchevismo. A história mostrou o erro e o homem teima em ignorá-lo. Poderosos pouco esclarecidos parecem emburrecer com o passar do tempo. É o poder subindo à cabeça, em que diabos de canto se meteu o bom senso?

Em uma terra, onde o ser humano é o animal em extinção, nós ainda insistimos em derrubar governos ao invés de construir uma tão sonhada e utópica civilização.

27 de nov de 2009

The Book of Life

Um bom manuscrito sempre deve começar com um nome estimulante e bom material. As páginas em branco sempre serão suas amigas, pois elas são complacentes a qualquer tipo de informação. Escreva devagar, sinta a ponta ponta tocar a delicada fibra do papel. Não duvide das influências externas, elas sempre chegarão na horas indevidas atrasando o andamento da empreitada. Siga o rumo que desejar, a tinta descreverá a rotina inquieta. Não espere compaixão de seus próprios erros, rasuras as quais deixarão marcas eternas. Nunca se livre das páginas mal escritas, deixe-as. Quanto mais você apaga, mais você sente o quão vazia se tornou sua obra, quando estiveres nas páginas finais. Extirpar más memórias originam um livro fino, de leitura rápida e pouco interessante; às vezes erros propiciam uma beleza singular às nossas experiências. No fim e enfim, quando estiver nas últimas páginas, faça uma leitura prévia e tire suas conclusãos. Satisfeito ou não o livro acaba e você tem que partir para outra...

The Book of Life.

26 de nov de 2009

Earth?

- Mamãe! Que animalzinho é esse aqui?

A mãe encarou o livro e logo a lembrança invadiu seus pensamentos.

- É um golfinho, meu filho. Eles não existem mais.

Temperaturas desreguladas e mares violentos, animais agonizando nas praias e nos desertos arenosos, cidades fantasmas, música produzida pelo passar do vento nos galpões vazios de uma indústria qualquer. Essa era a situação do planeta Terra, aquele pontinho ínfimo no universo que um dia transbordara vida diversa. Onde residiria a escória da raça humana, aquela que herdou a destruição de seus antepassados? A tecnologia nunca decepcionara seus promotores, porém foi incapaz de salvar a todos. Ao menos alguns sobreviveram para perpetuar o espírito aniquilador dos seres humanos.

- Mamãe! Mamãe o que é isso? É bonito!

A mãe suspirou.

- Costumava ser a Floresta Amazônica, filhinho.

Momento Filosófico (5)

Esta vida moderna ainda me matará de sono, responsabilidade e stress.

24 de nov de 2009

Olá, religiosidade!

Incomodo-me ao encontrar alguém dormindo na calçada perto de casa, coberto por papelão ou pano velho. Pior ainda é voltar do curso técnico e me deparar com a mesma cena, o indivíduo continua no mesmo lugar, dormindo. Lembro-me de religiosidade. "Ajuda ao próximo pois você estará ajudando a mim". Agora coloque um católico para observar essa cena. Olhará com desprezo, fará cara de nojo e passará pelo individuo com uma distância de vinte metros, alegando que é por segurança (quero deixar claro que não estou generalizando todos os católicos). Cada um acredita no que quiser, mas fico triste por aqueles que fingem seguir preceitos buscados pela sua religião.

Minha mãe me declara como católico. Acredito em Deus mas creio não ser totalmente católico. Naquele dia, naquela noite, eu não ofereci minha casa, minha cama e minha comida para o individuo que dormia no chão duro. Por que temer em dividir? Ele vai me assaltar, me espancar, maltratar meus familiares? Creio que ele estava bastante debilitado demais para isso. Por que não acolhi meu irmão? Falta de coragem? Sim! Falta coragem para quebrar certos preconceitos. Enquanto eu não ajudar aquele homem serei preconceituoso e não me considerarei totalmente católico.

Acredito nos preceitos cristãos e digo: é muito difícil seguir tudo a risca. Tenho esperança de que o ser poderoso lá de cima espera que nós façamos o máximo de nós para o bem de todos aqui em baixo e que fazendo o máximo garantirei uma vaga no paraíso que nos dias de hoje acredito que esteja um tanto que vazio.

No meu ponto de vista, a religião fundamental é o amor. O fato de existir algo tão contagiante, capaz de desorientar minha razão humana, me faz acreditar em uma força maior, um Deus supremo. Na minha opinião, quem explora esse sentimento de maneira benéfica está muito perto do católico ideal. Este não deixaria aquele homem no chão, o pegaria no colo, o acomodaria no carro, levaria para casa, ofereceria o banheiro, a toalha, a escova de dentes, a cama, os lençóis. As consequências desse ato de solidariedade pouco importaria. Confesso que exagerei na frase anterior... Porém, faça o melhor que puder! Deus ficaria feliz... Não ficaria?

Para acabar meu dia, me deparo com outra cena. O morador de rua passa por mim, diz-me coisas as quais não compreendi. Apressa o passo e fica de costas para mim, de maneira que posso avistar nitidamente a mensagem. Leio as palavras em sua camisa: "EU TAMBÉM SOU CIDADÃO". Bem, esse é assunto para outro texto.

23 de nov de 2009

É o Fim!

A floresta é fresca graças a extensa e densa camada de folhas as quais impedem a passagem dos raios solares e deixam o ar cheio de vapor de água. Pode-se sentir o cheio de terra fresca emanando do solo sedimentado, insetos andam perdidos em meio à folhagem amarelada que forra o chão fofo. As pegadas logo são apagadas por novos detritos produzidos pela natureza exuberante e extremamente fértil. Quem vai não volta, a trilha é marcada e logo desaparece, uma vida trilhada. Ninguém pode voltar atrás e desfazer o erro, um papel rabiscado o qual não pode ser apagado.

Corre ela, corre ele. A corrida cômica de dois fugitivos. A mulher com o bebê nos braços e seu parceiro incompreendido. Oh.. lá vem o esquadrão da morte. Polícia internacional. Matar, matar é a ordem. Setenta! Setenta homens armados contra duas criaturas e uma criaturinha. A linha de fogo cada vez mais se aproximava dos fugitivos. Isso era bom? Depende. Para quem você torce? Mocinhos ou vilões? Quem são os mocinhos e quem são os vilões?

Corre contra o vento e contra o tempo da morte. Lembra do que fez e o que desejava fazer. Tinha o quê? Uns 27 anos. Era novo e muito famoso. A fama o mataria, mas fez história. Tudo começou com um insulto e acabaria com a morte de um insultado. Sua parceira olhava para os lados, apertava o bebê. Não caia bebê, resista criança. Tão frágil e meiga. Linda também.

Tiro certeiro. A perninha de linda espatifou-se. Coitada da moça, jovem e perneta. Não é humor negro, é realidade literária. Chorou e agonizou de dor, foi pisoteada pelo batalhão de homens enfurecidos. Pega! Pega! O Assassino! Pega! A menina morreu pisoteada e perneta, foi esquecida. Ao menos serviu de adubo para uma nova vida. O fim de uma vida é o início de outra. E o bebê?

Tiro certeiro. O braço já não respondia mais. Tiro certeiro. Mais que bom atirador, hein? Sem braços utilizáveis, John pensou em sucumbir. Pensou e repensou. Era inteligente... Não chegaria no inferno sozinho, obviamente. Deitou-se e fez com o corpo uma cruz. Era péssimo ator mais passava muita veracidade. Os dois primeiros homens que o alcançaram pararam, olharam e o tocaram. Morreram. Oh, sim! John tinha pernas fortes. O restante o avistou. Viram os amigos no chão, olharam para John. Canalha. Virou queijo suíço, buraquinhos e buraquinhos decoraram o corpo do artista super famoso, internacionalmente conhecido como o Ladrão de Corpos.

O que poderia ser considerado loucura? Loucura é matar pessoas, loucura é fuzilar alguém indefeso, loucura é pisotear uma mulher, loucura é deixar o próximo morrer de fome, loucura é roubar, loucura é adulterar, loucura é falar sozinho, loucura é desviar dinheiro, loucura é ser corrupto, loucura é cantar, loucura é ser artista, loucura é aparecer na TV, loucura é usar o transporte público, loucura é matar aula, loucura é colar na prova, loucura é querer ser feliz, loucura é amar, loucura é ser você mesmo. Loucura é ser normal. Quem é normal é o verdadeiro louco. Quem é mesmo o louco dessa história?

O bebê rolou pela mata, acariciado pelas plantinhas rasteiras. Foi cuidadosamente depositado no solo pela mãe natureza. A natureza é mãe, mãe de louco. A vida de um inocente foi preservada, mas é claro.

Pois a morte de um é vida para o outro.

É a vida!
É o fim!
Contemplem a música da vida.

Momento Filosófico (4)


Durante a madrugada, efetuando trabalhos...

O silêncio é amigo da sabedoria.