8 de jul de 2011

Intertexto

Esta invenção, um tanto conhecida, consiste em um ritual pré-pensado. Visa reconhecimento próprio, espécie de provação exacerbada de alguma relação ou coisa.

De fato necessária, pedida e louvada pelo usuário. Reconfirmação da personalidade, pessoa, o olhar diário no espelho. A água corrente que sempre contempla caminhos livres, fluir sem impedimentos.

Mas tinha uma pedra no meio do caminho. Já haviam avisado, cantado e recitado.

Água mole, pedra dura. Fez-se o machucado que nunca mais sarou. 

No meio do caminho tinha uma pedra, ignorada, imóvel, calada. Simpática e dolorida.

6 de jul de 2011

Um tempo fenomenal

O vento poderia ser mais frio e a ansiedade mais intensa, nenhuma diferença. O que ele sabia era que haveria de esperar, o resto era incerteza.

Os ponteiros já andaram meia volta, talvez uma completa, despercebida. De fato, já se encontravam perdidos em um círculo de números simetricamente separados e envolvidos em vidro, vulgo relógio.

Relógio ao lixo, pois de ansiedade o alimentava. Perdido como os ponteiros. Assim, o artefato foi descartado.

Encontrado em meio aos entulhos, acolhido em um pulso. Arranhado mas funcional, um relógio fenomenal. Fenomenal em criar ânsia.

3 de jul de 2011

Estupidez

Não diria ser estúpido comparar vidas agitadas à vidas tediosas. Pois, na maioria das vezes, assim é escolhido pelos sujeitos. Por tanto julgar opções trata-se de equívoco, já que são escolhas de livre vontade e apreciadas pelos usuários.

Escolhas às vezes são atribuídas ao campo da inclusão. Daí contempla-se estupidez, bem camuflada e mortal. Aquela que esgota a mente e simula o prazer.

Vidas infelizes, vidas perdidas, vidas que não sabem que estão perdidas. Apenas consequências. Estupidez, bem camuflada e mortal.

Escolhas há de serem livres. E seus caminhos nos guiam à inclusões espontâneas e preenchedoras.