2 de mar de 2011

Na rua, educação

Durante a tarde de um dia útil, professores cercam a prefeitura a pedido de seus reajustes salariais e outros benefícios negados. “Educação na rua, João a culpa é sua!”, eis o lema da empreitada.

Um senhor de voz rouca discursava os débitos da prefeitura e a platéia apoiava com assovios e apitos. “Desculpem minha voz, mas hoje pela manhã também havia muito de vocês por aqui, lutando pela mesma causa”, alegava o orador.

Tempos depois, após um discurso que trouxe para fora os rancores na alma, é hora de obstruir a rua. “Peço a vocês que fechemos esta avenida em protesto, deixando apenas uma via aberta para a circulação de ambulâncias e ônibus”. E eu do outro lado da rua já lamentava.

Manifestantes carregando a faixa pela avenida. “João a culpa é sua”, dizia. Trânsito lento, engarrafamento iminente. “Certo, é um direito de vocês”, pensei. Porém, ficar por ali significava não sair dali.

Uma caminhada debaixo do sol quente em direção à Avenida Vitória, sem manifestantes, desobstruída. “Oh, eles estão no direito deles”. Um refrigerante para esfriar a cabeça; e a caminhada nem fora tão longa. Após, eu em casa cismando, “apesar, é direito deles”.