21 de nov de 2009

Rascunho Online

Este é o tempo em que tomei a decisão de que exercitar minha escrita é essencial e inadiável. Escrever em poucas linhas alguma idéia, nem que seja alguma bobeira, besteira ou algo banal é estimulante pois não deixa meu cérebro cair na preguiça. Não utilizo folhas - tenho preguiça de pegar um lápis e um papel. Isso é bom, realmente ótimo. O meio ambiente sorri para mim e eu sorrio para ele. Isso é algo extremamente ecológico, chega de papel voando pelo mundo. Descobri um rascunho online, o presente blog o qual nele estou escrevendo. Já que eu não largo o computador chegara a hora de fazer algo interessante nele... É... estou tentando. Por enquanto ainda não desisti e não deixei de postar no mínimo algum texto por dia, nem que seja uma frase bem pobre de conteúdo. É uma conquista sem precedentes. A natureza e meu lado racional estão festejando lado a lado... É muito bom desabafar através de palavras, aconselho essa terapia barata. O problema é arranjar tempo para escrever mas tempo sempre há. Só é preciso correr atrás do tempo perdido fazendo aquelas coisas inúteis mais que para você significam muito. Faça um sacrifício e estimule seu raciocínio: escreva qualquer coisa em qualquer lugar em qualquer hora do dia.

20 de nov de 2009

É a vida! (19)

A chuva perfurava o frágil rosto de Linda. O bebê acomodado em um de seus braços não se mechia, talvez estivesse dormindo. A força brusca com que John puxava seu delicado braço era pior que a dor do parto. Ambos corriam, fugitivos descobertos por acaso. A polícia cada vez mais perto, mais perto, realmente perto demais. Um batalhão contra 3 pessoas, 2 na verdade pois Garoto havia sucumbido. Ele caiu e seu pequeno corpo não se restabeleceu a tempo de prosseguir a fuga. Foi capturado. Linda ficou receosa em deixar o amigo para trás. John nada disse, parecia nem se importar, o peito pesava como uma montanha inteira de rochas. É a vida! Um dia rindo, outro dia se escondendo e logo depois correndo. Maratona para alcançar a liberdade sem limites, em que tudo que sua imaginação criar é possível de se fazer, só não se pode vacilar e cair nas mãos na polícia social, porque aí somos julgados através das leis democráticas pelos nossos atos condenáveis, os mais animalescos atos. Instintos a todo vapor. Seria acusado de loucura? Provavelmente se fosse pego seria morto por ali mesmo e exibido como troféu pelo FBI para o restante do mundo. "Pegamos o assasino, vitória!" Eles o matariam, não seriam melhores que ele.

19 de nov de 2009

A História da Bolinha Azul

Inspirada na excelentíssima aula de David Protti.

ERA UMA VEZ uma bolinha azul. Ela era incrivelmente azul, definitivamente azul. Adimito: era azul. Um dia ela caiu em um retângulo de água extremamente azul. A bolinha se perdeu na imensidão azul, olhou-se nos quadradinhos e viu que nada via. Tentou nadar para cima, em direção ao céu azul. Falhou. Ficou azul de tanta raiva. Azul escuro. Olhou-se novamente nos quadradinhos, constatou uma pequena diferença não muito animadora. Logo voltou a ser da cor da água, azul. Pensou: que hipócrita pintou a água de azul? Ela não deveria ser transparente? A bolinha passou muito tempo lá embaixo, esqueceu que era redonda pois não havia como enxergar a si mesma.

Certo dia esvaziaram o retângulo azul, foi-se embora toda a água azul. Jazia a bolinha azul em meio aos quadradinhos azuis os quais forravam o retângulo azul. A bolinha ficara tão feliz, a água havia sumido. Mas ela entrou em crise novamente – bastou se olhar nos quadradinhos azuis. Muito tempo depois a bolinha pensou que era quadrada, triangular, helicoidal, pentagonal, oval. Desanimou-se até o dia em que alguma bolinha alada que não era azul cruzou o céu azul e defecou no fundo azul do retângulo. Uma idéia se apoderou da bolinha. Pulou, rolou e quicou na titica esverdeada. Bolinha verde. Olhou-se nos quadradinhos azuis e constatou: bolinha verde nos quadradinhos azuis.

Papel Amassado

As luzes já enfeitam partes da cidade. O tempo passou tão rápido mas ele nem se lembra o que fez nas férias de Janeiro. 6 meses de uma Universidade parecem 1,5. O Natal chegando e o clima de páscoa ainda predominante. Ele quer mesmo é chocolate - chocolate para adocicar a vida. Tantos e tantos trabalhos finais e parece que nenhum tem objetivo algum. Gosta do que escolheu, talvez esperasse algo melhor - melhor de si mesmo.

Ele quer é presente das crianças. Ainda é uma criança ingênua - gosta de brincar. Chocolate e carrinho de plástico. Não quer chegar ao Natal, significaria fim de ano e o que ele fez de relevante? A páscoa e o dia das crianças parecem suficientes. Ele pararia as horas nesse intervalo de tempo, mas a vida é contínua. Confessou: não é tão ruim assim.

Buscando singularidades que nos fazem felizes, disse ele.




(o chocolate é meu!)

17 de nov de 2009

É a vida! (18)

O vulcão expelia com toda veracidade o líquido vermelho cintilante. O ar se tornava cada vez mais poluído graças às milhares partículas de cinzas que coloriam o ar antes transparente. Os animais corriam procurando abrigo, atrás descia o rio de magma que não perdoava nenhuma forma de vida no aspecto micro ou macro, fauna ou flora.

Na cidade, com cerca de algumas centenas de habitantes, cartazes gritavam sobre as dezenas de pessoas desaparecidas nos últimos meses. Fora da área de alcance do magma, a cidade sofria apenas com a poluição atmosférica. Hospitais cheios de crianças e idosos os quais sofriam de diversos problemas respiratórios.

- Ligue para a prefeitura e diga que eu recomendo a evacuação da cidade - disse o Médico Chefe.

Numa choupana não muito longe da cidade o Garoto preparava os utensílios para a operação relativamente simples.

- Pelo amor de Deus! Eu não aguento mais... Ande logo com isso! - disse Linda, afobada.

Garoto era médico pediatra formado, mas nunca exercera a profissão. Tinha esse apelido pois sofreu de problemas para crescer, era literalmente anão. Encontrou na dupla John e Linda o que tanto procurava, respeito e realização profissional. Ele era muito bom no que realizava, definitivamente.

Já com outro porão improvisado, John trabalhava desajeitadamente nos seus cadáveres, avesso ao que acontecia do lado de fora.

- John, vai nascer! - berrou Garoto.

Sobe tranquilamente as escadas, nosso amigo serial killer. Rindo como uma criança, não era felicidade. Sua vida era uma grande piada? Talvez ele risse disso.

O magma mudou o curso e simplesmente banhou a cidade com suas águas mortais. O som das casas desabando e de materiais queimando era apreciado da choupana. O rio de lava cercou o casebre, era como se John não pudesse ser destruído, ser dotado de algo divino. Hércules anti-heroí.

Chuva de fogo e ventaval cinza. O apocalipse que plocamava nova vida.

Nasce um bebê bem bonitinho. Linda adorou.

16 de nov de 2009

Não ponha lenha onde não há fogo

Não ponha lenha onde não há fogo. Não há nenhuma situação que você possa atiçar. Desista! Não desperdice sua saliva, seu tempo, suas horas livres. Vá pescar. Desista desta abobrinha, cuide de sua vida. Arranje uma namorada. Faça seu dever de casa e largue essa lenha toda, rapaz. Seja perseverante em algo útil, não há nada aqui para você. Desista desta empreitada, plante uma árvore. Salve o planeta. Não me venha com indiretas, não há fogo e muito menos fumaça. Há apenas minha vida tola e fútil.

15 de nov de 2009

É a vida! (17)

Os raios de sol que começavam a iluminar o asfalto eram o sinal do amanhecer de um domingo conturbado. Jhon chegou na casa da frente, olhou para o menino, tocou em seu ombro e disse:

- Muito bem! Começamos da melhor maneira...

Linda acariciou a cabeça do garoto e logo saiu com John pela porta do fundo da casa. A polícia fora enganada mais uma fez. FBI que nada, não apresentava perigo algum para John.

Nas trevas dos túneis do estabelecimento cercado pela polícia, a equipe 5 procurava sem sucesso o serial killer mundialmente famoso.

- Central... O presunto ainda se encontra dentro da caixinha?

- Positivo! Nenhum sinal de fuga por fora...

O Comandante ainda estava com vida e seu assistente também, por pouco tempo obviamente. Se John perderia sua casa, ele a perderia com um grande churrasco...
No centro de sua casa, existia um compartimento, bem escondido e profundo. Toneladas e toneladas de dinamites estavam animadas para estraçalhar dezenas de tiras.

John e Linda já estavam longe. Não precisavam de roupas, objetos, jóias ou dinheiro. Tudo o que precisavam estava no bolso da futura mamãe. Um celular, um celular comum. Linda sacou o aparelho como se fosse um revolver. Jhon achou graça e riu durante algum tempo. Pegou o aparelho e discou alguns números. Ambos viraram em direção aonde um dia chamaram de lar... Olharam nem muito para cima e nem muito para baixo - encontraram o ângulo perfeito. John apertou o botão verde.
Churrasco de manhã, uma boa maneira de começar uma nova semana.

O Garoto via sua casa arder em chamas. Tirou um papel de dentro do bolso, leu o endereço e foi ao encontro de seus amigos da casa da frente.

A nuvem cinza subiu ao céu, ofuscando os raios solares. Noite por um breve período, noite psicopata.