15 de out de 2011

Trambolho

Dei-me conta dos grandes e pequenos erros cometidos por aí. Porém, mais do que tamanho ou intensidade, o destaque e a fama ficam para o desenrolar dos fatos durante a  próxima semana.

Vejamos. Com uma opção que depende de duas variáveis para exercer dois eventos distintos é até fácil de prever a catástrofe ou o acerto, assim como prevenir ou amenizar as consequências. Mas, como indivíduos preferem situações complexas (não por preferir exatamente, é o modo como a vida se estrutura) e costumam exagerar em certas atitudes, a primeira frase desse parágrafo já torna-se inútil.

Inútil também se tornam certos conceitos deterministas. Pois não definiriam com exatidão situações complexas com as quais me deparo, talvez apenas deem pista de uma explicação aceitável para situações de duas variáveis.

Mas por aí chove momentos pouco deterministas e de encruzilhadas ricas em bifurcações. E cada caminho situado ali, que leva a algum lugar (ou a lugar algum), na maioria das vezes desconhecidos, reserva ao final um buraco de alguns metros. Uma queda é quase sempre esperada. E se aguarda com esperança uma altura mínima.

12 de out de 2011

O rito

Cercado por fortificações não hostis, por isso agradavelmente suntuosas e desarmadas, está a concepção propriamente dita do ser humano. Insignificante para a maioria, irrelevante para grande parte, relevante para pouco menos de uma minoria, e entendido como importante para três ou dois.

Por sorte e por vezes, em tempo de certa sanidade, destreza ou necessidade, encontra-se entreaberto o portão da fortificação. É que, durante a penumbra da noite, a concepção propriamente dita humana, de maneira furtiva e desengonçada (o que torna o ato delatável) gira as engrenagens da casa de máquinas até se ver uma pequena brecha na grandiosa porta de entrada, o suficiente para a passagem de alguém.

Assim, o fato das pessoas entrarem por ali torna-se além da possibilidade de nula. De longe, a pequena brecha nunca haverá de ser vista. Mas, por perto da construção é praticamente impossível que se passe por despercebida.

Entende-se um pequeno jogo, uma pequena prova, o teste. O interesse ou a curiosidade levaria de encontra à fortaleza, a suntuosidade poderia seduzir, a pequena brecha deverá ser convidativa a entrar. Praticamente como um rito de passagem, certa verificação de valores e concepções.

Por sorte, esses três ou dois indivíduos podem ser fisgados. Ou, por azar, nunca haverão de passar ali por perto. Talvez outras estratégias devem ser utilizadas. Mas, por hora, a presente ainda parece ser adequada e ajustável a própria concepção propriamente dita humana.

9 de out de 2011

Altas emoções... melhor comprar um animalzinho

Preparara a festa com tamanho entusiasmo que esquecera de ajeitar a si mesma. Então, em um ato de desespero, correu para o banheiro, sacou a escova de cabelo e começou a se pentear. Perfumou-se além da conta e exagerou no batom. Borrou-se e nem notou.

Não tivera tempo de limpar os sapatinhos, improvisou com um pano úmido e não resolveu quase nada. Arrebatou o vestido por sorte previamente passado, analisou o cheiro de mofo e vestiu. Acrescentou mais algum perfume para desiludir o mal cheiro.

Lembrara do grande tempo sem um banho. Sorriu quando viu novamente o frasco. Perfumou-se novamente. O cachorro, Loló, afastou-se incomodado. Deitou em um canto e dormiu.

Pegou uma garrafa d’água e encheu de gelo. Reconheceu e aceitou o erro de deixar a comida previamente exposta. Tudo esfriara com rapidez. Ligou o forno e deixou de prontidão. “Quando ele chegar, a comida vou esquentar”.

Deixou a garrafa d’água ao lado de sua cadeira predileta, agarrou Loló e sentou-se ligeiramente deitada. Esperou durante duas horas da noite e três da madrugada. Adormeceu. Acordou e notou que Loló comera toda a comida. O gás acabou e o frasco de perfume jazia dilacerado no chão. “Loló!”.