23 de dez de 2011

Conto de fim de ano

Os espíritos estão pouco badalados este ano. O de Natal nem se quer bateu na porta, parou e ficou observando a maçaneta, limpou os pés no tapete e permaneceu estático. Sentiu más vibrações no ambiente, ou encontrou um lugar melhor para agraciar com sua presença, esperando a oportunidade exata de partir. Na verdade, acredito que ainda a esteja procurando. Aliás, está em frente à casa até hoje.

O espírito de Ano Novo fez uma breve visita por trinta minutos. Então, achou todas as pessoas incapazes de desejar ou praticar algo bom em 2012. Deu de costas, amaldiçoou os residentes com a teoria do fim do mundo e foi embora. E a piada do dia foi: o que vem de costas não me atinge.

Agora acredito em qualquer coisa e não animo com tais festas. Entre o Natal e o Ano Novo, dia 27, digamos, Papai Noel vem montado em fogos de artifício. Isso seria inesperado e divertido. E faria todo sentido.

19 de dez de 2011

Desarmonia

Desisti de duas ou três coisas estes últimos dias, pois abrir mão delas me pareceu muito confortável. Assim, pensei sobre todas essas falhas não planejadas, e vi prudência em não tentar algo sem noventa por cento de acerto. Ainda, algo muito melhor que o anterior.

Aliás, não fico depressivo e mal-humorado assim tão fácil. Pessoas ao meu lado morrem de reclamar. Meu rosto fica imutável, tomo um gole d'água ou de café, olho novamente, outro gole, expressão facial de e daí. Explico. Você vai fracassar novamente, acostume-se. Tome algo, então, falhando todas as opções, tente o vinho. Relaxe. Pense pouco hoje, amanhã pense muito. Soluções vem com o tempo. No máximo, desista e encontre algo melhor. Algo muito melhor que a alternativa anterior.

Olhares de repreensão em mim. Novamente, expressão facial de e daí. O cachorro passa por perto, carícias em sua face. Mais banal que a conversa. Olhares de repreensão, de novo. Pessoas ao meu lado morrem de reclamar. Sim, querem apenas atenção para seus lamentos. Adote um animal e converse com ele. Certo que ele vai abanar o rabo.

Pois meu rosto não vai passar expressão mais motivadora. E minhas mãos não irão demonstrar qualquer sinal ou gesto caridoso. Aliás, carinho dou à minha família, à minha companheira. Ainda, há pouco dele para dar e muitas pessoas por receber. 

Atenção, carinho e coisas derivadas. Apenas resquícios e pessoas insensatas. Será esse o motivo de indivíduos tão lamentosos e mal-humorados?