4 de jun de 2011

Criança, um futuro

Seus movimentos lentos ao acordar não refletem seu futuro conturbado. Estes adoráveis e inseparáveis chinelos serão trocados por saltos. Sorte tua se fores alta, pois quanto menos cresceres maior será o fardo para teus pés. Clamarás os chinelos quando não poderás usá-los, assim como fazem as moças de hoje em dia. 

Esta bolsinha de brinquedos, substituída por uma de utilidades para o negócio. Celulares, agendas e coisas femininas inúteis para mim. E estes olhos, um olhar de terror ao desconhecido, uma simples penumbra da noite, trocado por uma visão destemida do futuro, uma claridade artificialmente forçada.

Entregando seus brinquedos a cada adulto por ali, um presente por eles lhe prestarem atenção incondicional e mais que especial, no vocabulário deles. Esperta para reconhecer e mais ainda para retribuir. Na verdade, eles deixam escapar a inveja por você ser o que é.

Faço uma proposta. Que tal comer no chão ou sobre seus brinquedos? Ainda pode e poderá, escondida ou por descuido de seus responsáveis.

Ainda pode ou poderá, enquanto todos esses anos não passam. Acordar em prontidão, calçar seus saltos e preparar a bolsa, ou talvez simplesmente deixá-la acumular de papéis, como muitas senhoritas já o fazem a décadas. Coisas que reservamos para o seu futuro.

2 de jun de 2011

Nota VII, acerca dos eventos recentes

Dentre as coisas mais estranhas, encontra-se desafiar o óbvio. É indiscutível que comer demais engorda, assim como é  mais que provável o fato da chuvar cair e não subir.

Mais que mais provável é que sua companheira é a última a sair do banheiro, considerando que os dois entraram juntos, cada qual em seu local correspondente. Mais óbivio, que chega a ser estúpido, o fato de que ingerir um litro de líquido durante certo filme de três horas irá lhe enviar ao banheiro antes dos cento e vinte minutos.

O óbvio, que chega a ser louvável, é que várias pessoas te odeiam. Felizmente, não podem se livrar de ti sem certas complicações; elas, ironicamente conquistadas e que servem para não sei o que. Por isso louvável, mas não excludente a perpétua insegurança. Todos a favor da democracia, sorrisos forçados, algumas bombas para controlar a massa, políticos ausentes, estudantes nas ruas... e mais algumas bombas.  Óbvio.

30 de mai de 2011

Nota do dia VI

Impera desinteresse em todas direções do ambiente. Vence apenas o clima mais carinhoso e ignorante ao caos. "Uma tweet para você , veja!", disse ele. "Ah, é muito bonitinho!", respondeu ela.