16 de set de 2011

Multiretroativo

Passei cerca de sete dias pensando sobre a imprevisibilidade e o querer e não poder. Esbarrei em muitas cadeiras e tropecei em várias calçadas e, por fim, concluí com tais acidentes o óbvio, acrescido de um pouco mais dele mesmo.

Não poderia prever um tropeço ou um esbarrão por mim mesmo, mas poderia evitá-los não relegando minha atenção a um campo imaginativo. Entretanto, o que é relevante advém do fato que o piso deveria ser minimamente liso e as cadeiras haveriam de der uma distância mínima umas das outras, a fim de ambos providenciarem passagem segura.

Por concluir o óbvio e novamente repensar e concluir a mesma coisa, cheguei ao fato do querer e não poder. Não haveria como brotar do chão calçadas maravilhosas e salas com móveis simetricamente espaçados.

Assim, a força em questão que me fez parar de pensar por falta de coerência é a situação em que as pessoas adoram usar coisas degeneradas e usufruir de locais perigosos. Estendendo-se tal raciocínio também aos relacionamentos degenerados e perigosos.

Então, a falta de coerência haverá de ser desvendada em outra semana conturbada.

14 de set de 2011

"Life Boom"

Este é chamado de "o Templo", aclamado por suas luzes brilhantes e promessas de felicidade. De início, um passeio por entre salões de cultos diversos, cada qual com suas lições e estilo acerca da vida.

Esta é uma rotina religiosa extremamente comum. Ateus são inexistentes em seu conceito de nenhuma adoração. Não cultuar é intrinsecamente ligado a não viver.

Sentimento reluzente nos olhos de fanáticos religiosos que dura enquanto perdura a fé. Esta alimentada com algo devidamente nomeado, conhecido e apreciado.

Por fim, uma alternância de frustração e de renovação na fé, em fé e com fé. Aliás, hoje tem liquidação aqui por perto.

12 de set de 2011

No mínimo, metade

A preferência sempre foi conhecer cinquenta por cento, pois a outra metade é construída em incertezas. Explico: considero que você lembra da metade de sua vida e vagarosamente a outra parte, de sua adolescência e antes dela. Nada de culpa, pois ainda não conheci uma memória cem por cento infalível. Por sorte, a regra estipula que é preciso conhecer um ao outro, ao menos cinquenta. Suposta mentira número um.

Você nunca sabe o bastante sobre mim e eu nunca conheço a essência sobre você. De resto, resta discórdia. Prezamos que seja saudável.

Suposta mentira número dois, cinquenta por cento de tempo integral disponível. Dez para necessidades fundamentais, leia-se essenciais, vinte para os estudos e mais vinte para o trabalho. Cinquenta para ti. Mentira número dois. Acréscimo de vinte ao trabalho e dez ao estudo, talvez reste vinte.

Talvez reste vinte, vinte por cento bem aproveitado. Lembrei de umas coisas por fazer e você de outras mais. Cinco por cento é luxo, um cinco bem destrinchado.