Veja o carrossel. Tantas luzes brilhantes distribuídas em sua carcaça amarela. O teto pintado de retângulos vermelhos, alternados por outros brancos. Colunas espalhafatosas de coloridas e cavalinhos rosas.
E quando o maquinário dá a partida, as luzes se fundem. A velocidade torna-se extraordinária e o branco reina triunfante. É agora uma estrela, a estrela das crianças. Vai subir ao céu, como um disco. Um disco voador.
E voou...
Veja só! É um gatinho! Uma corda em seu pescoço, presa ao carrossel. Rodopiou tanto que vomitou tudo que lhe forrava o estômago. Uma criança má o amarrou lá. Uma criança verde.
Eis que era um experimento, o qual não pode ser concluído. O gatinho foi arremessado pelos ares, sem paraquedas, sem nada. A corda arrebentou e o gatinho voou. Pobre dele.
Ele não caiu de pé...
Não sentira nada quando espatifou-se no chão. Estava morto minutos antes de arrebentar o focinho no chão, e todo o resto. Sorte, sorte dele. Má, má sorte da dona. Que com seu sapato amarelo, estupidamente caro, pisou nas entranhas do bichano.
E para o lixo o calçado foi...
O carrossel desceu. Não porque tinha que descer. Desceu pois não tinha escolha de não descer. O maquinário parou, o branco sumiu e as cores vívidas voltaram. A fusão terminou. Crianças verdes não há mais. Da loucura toda, só resta o gatinho no chão. Na verdade, o que sobrou dele.
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